segunda-feira, 10 de julho de 2017

Pontos Cantados, Saudações e Danças na Umbanda


É de extrema importância que o médium de Umbanda tenha conhecimento das saudações das linhas e principalmente os pontos a serem cantados para cada uma.
Pontos são as cantigas ou músicas que acompanhadas dos toques de atabaque, energizam o terreiro e atraem os espíritos (entidades) aos seus médiuns, com intuito de criar radiação de incorporação e aumentar a força dos que já estão incorporados.
Diferente das casas que fazem os cultos de nação e do Candomblé, os pontos cantados na Umbanda são em português, falando geralmente de características, feitos ou qualidades da entidade ou do Orixá, para ajudar os que estão no trabalho a mentalizarem e trazerem este para perto de si no momento do culto.
Cada casa de Umbanda tem seus pontos para as mais diversas situações. Principalmente porque cada casa é regida por um Guia Chefe diferente, e geralmente é esse quem determina quais são os pontos que podem ou não ser cantados nos trabalhos.
O papel dos atabaquistas é trazer (por vezes até compondo), puxar os pontos e tocar o atabaque de acordo com o ritmo do mesmo. Cantando pontos que vão ajudar o trabalho de acordo com a necessidade do Pai de Santo ou do Guia Chefe que estiver liderando o momento.
Já o papel dos médiuns da sala é auxiliar os atabaquistas cantando e vibrando com palmas, para que a energia se espalhe por todos os presentes, formando assim a Gira.
Atabaquistas ou médiuns de sala, a obrigação de todos da casa é saber o ponto principal de cada linha (geralmente ponto do Guia Chefe), e cada ritual (abertura, defumação, bate cabeça, cura, chamada e despedida de entidades e Orixás, fechamento, batizado, amaci etc).
Antes de se iniciar algum ponto, é preciso preparar a vibração. E isso se faz com a saudação da linha ou ritual que irá se iniciar.
Geralmente a saudação segue o padrão de chamar o nome do que irá se fazer ou quem irá se chamar, seguido da palavra chave que caracteriza aquela linha ou ritual.
Por exemplo:
- Salve a Bahia (Quem puxa)
- Getruá Bahia (Os que seguem)
É importante quem for puxar um ponto em ter sempre em mente que a saudação é fundamental até por uma questão de puxar a atenção dos que devem seguir, e especialmente respeito a quem vai ser saudado.
A saudação, entretanto, não se faz necessária entre um ponto e outro. A menos que haja uma pausa no trabalho e a energia tenha que ser puxada novamente. Do contrário uma vez é suficiente.

Dentre as saudações na Umbanda (e no caso desse texto, especialmente no Templo de Umbanda Caboclo Flecheiro e Baiano Zé Pinga), temos as seguintes para cada linha, e seus respectivos significados quando se aplicarem: 

Orixás
ORIXÁ
SAUDAÇÃO
SIGNIFICADO
Oxalá
Oxalá Meu Pai
Admiração pela honrosa presença
Oxossi
Okê Arô
Salve o Grande Caçador
Oxum
Aie iê Oxum
Salve a Senhora da Bondade
Ogum
Ogunhê Meu Pai
Brado de quem tem força
Iemanjá
Odocyara
Amada Senhora das Águas
Xangô
Kaô Kabecile
Venham admirar o Rei
Iansã
Epa hey Oyá
Salve a mãe dos nove espaços de Orum
Nanã
Saluba Nanã
Salve Senhora Mãe de Todas as Mães
Obaluaê
Atotô
Silêncio, ELE está entre nós

Linhas de Entidades:
LINHA
SAUDAÇÃO
Caboclos
Okê Caboclo
Pretos Velhos
Adorei as Almas Santas
Ibejis (Cosme)
Oni Ibejada
Erês (Malandrinhos)
Aramim Erê
Ciganos
Salve o Povo do Oriente
Boiadeiro
Getruá Boiadeiro
Baianos
Getruá Bahia
Marinheiros
Salve a Marinha
Malandros
Saravá a Malandragem
Esquerda
Laroyê
Cangaceiros
Salve o Cangaço
Pajés
Zum Zum Pinguelim
Sereias
Salve Janaína
*Lembrando que essas são saudações feitas na nossa casa. A umbanda é repleta de diversidade, portanto é muito pretencioso falar que o diferente do seu é errado!

Ligado aos pontos e saudações, temos as danças características de cada Orixá. Que apesar de não serem tão regradas e ricas em detalhes nos movimentos como no Candomblé, são de extrema importância.
Isso porque a mistura dos três componentes: saudação-ponto-dança é a principal causa de atração dos Orixás e Entidades.
Ao nos mover cantar e saudar, nos condicionamos a mentalizar aquele que virá, e isso com certeza o trará com muito mais força.
É de praxe quando saudarmos um Orixá que rege a nossa coroa ou nos aproximarmos de uma entidade, cruzarmos o chão e nossos chacras. Esse gesto é uma ligação de saudação, ponto e movimento. Além de precioso respeito e amor aos que nos guiam.
Ao dançar para o Santo, não se deve ter outra coisa em mente a não ser os pedidos de luz, força e orientação. Seja para vida, ou para os trabalhos que se está prestes a conduzir ou auxiliar.
Por isso é de suma importância a participação de todo o corpo mediúnico na abertura, vibrando na mesma intensidade do início ao fim. Pois vai garantir que o trabalho tenha força e que as pessoas que dele participaram (incluindo você) sintam essa força.
Na impossibilidade de dançar, participe da vibração batendo palmas. O importante é colocar a sua força no ritual pois ela age em efeito boomerang. Vai vibrar nos demais, e retornar para você potencializada.
Por isso durante os trabalhos é muito importante buscar pensamentos bons, pois a nossa vibração vai emanar com a força desses pensamentos, e podemos quebrar uma corrente de força prejudicando a nós e a um irmão que esteja mais frágil naquele momento.
É muito importante lembrar que pensamentos bons atraem coisas boas, assim como os ruins não farão diferente... irão atrair energias ruins.
Portanto saúde, cante e dance buscando sempre o melhor, por mais difícil que a vida esteja. Pois esse é o segredo que vai trazer a melhoria para todos os males.
Salve a força, Saravá!
                                                        

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Cambonear


Cambone é aquele médium que não irá incorporar durante a gira. Irá zelar pelo bom atendimento, ajudar a dinamizar as consultas e facilitar o trabalho das entidades.
Pobres dos que se veem diminuídos por só cambonearem.
Cambonear (ou cambonar como é dito em alguns terreiros) é um ato divino que exige doação, atenção, carinho e zelo pela entidade e o médium que a incorpora.
Nenhum médium chega a grau evolutivo algum, se não tiver em sua bagagem muitas e muitas giras camboneando diferentes entidades de diferentes médiuns.
Conhecer a forma em que cada um trabalha, os procedimentos e materiais utilizados nos diferentes trabalhos e fundamentos da Umbanda, é parte essencial do processo doutrinário do médium, e consequentemente das entidades que um dia trabalharão nele.
É muito importante lembrar-se que se o médium não tiver noção nenhuma de como se faz um trabalho, a entidade pode até ter a força para executá-lo, mas por falta de doutrina, provavelmente vai errar em alguma coisa. E a base dessa doutrina é o ato de cambonear.
Não é à toa que dentro de um terreiro, as entidades dos médiuns da casa assumem características parecidas com as entidades do zelador. É um processo em cadeia que se espalha através do que se é observado no momento que camboneamos.
Isso porque a partir do momento que o médium veste a roupa de santo, salda seu congá e cruza suas guias, ele automaticamente aproxima sua corrente de entidades para o lado dele. Logo, tudo que ele ver ouvir ou sentir será visto, ouvido e sentido pela entidade. Estando ele incorporado ou não.
Tendo em vista todos esses fatores, mais o de que a entidade precisa de um cambone não só para auxiliar em servir, mas principalmente para dividir as energias, temos que acabar de vez com esse mito que brota na cabeça de médiuns (especialmente iniciantes), de que cambonear é um ato menos importante que incorporar.
Pois esse é o principal fator que faz com que médiuns mesmo sem radiação, queiram o momento de atenção deles na gira para fechar o olho e receber uma entidade que talvez naquele dia precise apenas observar o que está acontecendo do astral. Gerando em muitos a mistificação.
Tendo em vista os fatos citados acima, que tal aproveitarmos mais o tempo que temos de desenvolvimento, para aprender como realmente se trabalha incorporado através de cambonear?
A hora de todos trabalharem vai chegar, e quando chegar o que vai determinar se irão trabalhar bem e com segurança, será o que aprenderam camboneando antes de assumirem uma responsabilidade maior.



                       





Aos ser escalado ou se prontificar em cambonear uma entidade o médium deve se atentar a alguns fatores que na correria de uma gira, podem fazer toda diferença.
Dentre eles, os principais são:
v  Consultar o médium que vai cambonear para saber quais serão as entidades que ele trabalhará naquele dia, e quais são as coisas que cada uma utiliza
v  Separar com o médium cada uma dessas coisas de maneira que fique fácil alcança-las no momento em que forem solicitadas pela entidade
v  Ter sempre fósforo, papel e caneta a postos para cambonear
v  Procurar sempre cambonear pessoas diferentes em cada gira, mas estar 100% para aquele que escolheu naquele dia
v  Posicionar-se próximo a esse médium desde a abertura da gira, pois é possível que ao sentir radiação ele não terá tempo de avisar que vai incorporar
v  Esperar a entidade cumprimentar os quatro cantos da casa para abordá-la
v  Nunca tocar em nada da entidade se não tiver certeza que tem permissão. Ex: cocares de caboclos, só podem ser manuseados pelo médium, zelador e padrinhos
v  Jamais tratar a entidade como “você”, sempre como senhor, senhora, vós e pelo nome
v  Estar sempre atento aos itens como vela, cigarro, charuto, fumo de cachimbo, copos e bebidas
v  Naturalmente se preocupar se aquela entidade está precisando de algo, mesmo que seja apenas ter o seu rosto enxugado com uma toalha (que o médium deve ter para cada uma de suas entidades) por estar suando, ter as mãos limpas no caso de ter manuseado algo que suje, etc
v  Anotar qualquer recado que a entidade passe para o médium dela, pois possivelmente irá esquecer
v  Notificar o médium e o Pai de Santo caso a entidade reclame de ter faltado algo para ela na gira
v  Notificar o Pai de Santo caso a entidade tenha alguma atitude inadequada no decorrer da gira
v  Evitar ficar em cima da entidade enquanto ela atende alguém, lembre-se que o assunto do consulente pode ser constrangedor quando dividido com alguém além da entidade
v  Não dispersar nem ficar conversando enquanto a entidade atende alguém, pois ao cambonear, a sua energia e concentração dão forças para a entidade manter o médium dela firme ao voltar. Quanto mais ela tiver que trabalhar sozinha, mais o médium vai voltar baqueado
v  Preocupar-se e ter noção do espaço que a entidade vai ocupar na gira e enquanto faz suas afirmações. Não há problema nenhum, ao perceber que a entidade está bloqueando um caminho, em respeitosamente pedir para ela se posicionar em outro lugar da sala. O mesmo para quando ela quer acender uma vela em um lugar que não tenha visto que está ocupado ou vai bloquear uma passagem
v  Antes de levar um recado, pedido ou dúvida da entidade que você está camboneando para um guia chefe, ter certeza que não irá atrapalhar ele em uma consulta ou afirmação, somente abordá-lo se tiver certeza que ele não está trabalhando, pois ele não pode parar o que está fazendo. Salvo apenas em casos de pessoas passando mal ou com possível obsessor irradiando
v  Controlar rigorosamente a quantidade de bebida ingerida pela entidade. Leva-se anos de incorporação para que a entidade consiga ingerir uma garrafa inteira e o médium não volte com nenhum sinal de embriaguez. Na dúvida, sempre consultar um guia chefe ou pai pequeno
v  Não grudar na entidade nos momentos em que ela resolve dançar, isso pode causar acidentes e até deixar o guia nervoso. Mas ficar a postos pois se ela for embora abruptamente o médium precisará de você para apoiá-lo
v  Estar a postos para apoiar o médium ao retornar, passar todos os recados pertinentes à gira para ele, e auxiliá-lo ao guardar os itens das entidades que devem ser cuidadosamente tratados o tempo todo como sagrados

v  Por fim, nunca colocar a mão diretamente nos chacras da pessoa ao segurá-la, e chama-la pelo nome ao retornar da entidade, dando tempo para que ela volte a si, oferecendo-lhe água ou dando a toalha para que esta se seque caso esteja suando.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Afirmação de Velas



Uma questão muito questionada por médiuns no decorrer de seu desenvolvimento é a forma na qual se acende velas, a periodicidade em que devem ser afirmadas, e quais as ocasiões e linhas específicas que se deve ou não afirmar velas.
Primeiramente é fundamental ter em mente que afirmar velas não é simplesmente acender o pavio e achar que tudo estará resolvido. Da mesma forma, é preciso saber que a importância e fundamento básico que torna essa ação necessária, é o fato que sem luz nossos guias não enxergam o caminho que devem nos conduzir.
Logo, já podemos entender que acender velas é o básico necessário para fortalecer um médium. Sem isso, as outras coisas que se pratique ou ofereça provavelmente nem serão vistas pelas entidades e guias de luz.
Mas é preciso também ter consciência de que tudo em excesso e exagero, falando de Umbanda, pode causar um efeito indesejado.
Para exemplificar isso, imagine você dentro de um quarto escuro precisando encontrar uma porta para sair. De repente uma luz se acende, possibilitando que você enxergue o caminho da porta. Na seguida várias outras luzes se acendem no mesmo quarto, luzes tão fortes que causam um clarão em seus olhos tão impossível de enxergar quanto a escuridão. Novamente você se vê perdido sem saber o caminho da porta.
Por isso é importante criar uma periodicidade para afirmar nossas velas. Não pode faltar, mas se exagerar, não vai nos ajudar da mesma maneira.
Cada terreiro pode seguir determinadas regras para afirmar velas. O que vamos exemplificar aqui é o que nossa casa segue. Fundamento que foi passado pelos guias e dirigentes que formaram os dirigentes da nossa casa.
Primeiramente, caso não se tenha um altar preparado (cruzado por um pai ou mãe de santo) em casa para afirmar as velas, é necessário utilizar um prato raso branco (preferencialmente sem estampas) para colocar as velas dentro.
Vamos afirmar as velas dos pais de cabeça. Umbanda geralmente reconhece e cultua o casal que rege a cabeça e a frente do médium e o que fica na retaguarda, conhecido como Ajuntó.
Seguindo a posição da figura abaixo, o importante a se saber é que a vela que fica à sua frente do lado direito deve ser a do pai de cabeça em caso de homem, e da mãe de cabeça em caso de mulher.
Devem ser afirmadas iniciando pela branca de Oxalá, seguida pela que estará de frente do lado direito.
*A imagem acima demonstra a afirmação de um homem. No caso de mulher, somente se altera a posição, onde a mãe de cabeça ficaria no lugar da vela verde e os ajuntós também seriam invertidos da mesma maneira. Portanto se fosse uma mulher, as duas velas do lado direito seriam a Azul Escura e Vermelha.

A utilização correta das cores também é muito importante. Especialmente para ajudar na mentalização da entidade/orixá que se afirma.
Estando em desenvolvimento, não há necessidade do médium acender velas para outros guias que não sejam seus pais de cabeça. Nem mesmo para entidades.
Isso somente será feito caso um guia chefe o oriente, do contrário o melhor é esperar a hora certa para não acender de forma errada e acabar se prejudicando.
Especialmente para a linha da Esquerda e Malandros, que quando for permitido é preciso também ter o cuidado minucioso de não afirmar dentro de casa.
A periodicidade mínima para afirmar as velas é de 15 em 15 dias.


Cores de Vela X Linhas que Trabalhamos em nossa casa



Oxalá – Branca
Oxóssi – Verde
Oxum – Azul Escuro
Ogum – Vermelho
Iemanjá – Azul Claro
Xangô – Marrom
Iansã – Amarela
Nanã – Roxo
Obaluaê – Branco
Santa Sara (Egunitá) – Laranja
Exu – Preta
Pomba Gira – Vermelha e Preta
Pomba Gira Cigana – Preta com a cor da cigana
Marinheiros – Branca e Azul
Pretos Velhos – Branca e Preta
Baianos – Amarela e Preta
Boiadeiros – Marrom
Sereia – Azul Claro
Ciganos – Coloridas 
Cosmes Ibejis – Azul Claro (meninos), Rosa (meninas)
Caboclos – Verde
Pagés – Verde e Branco
Caluguinhas – Preto
Erês – Cor da Fruta que comem
Malandros – Vermelha e Branca
Cangaceiros – Laranja
Hindú – Amarela e Branca







Bater Cabeça na Umbanda

Bater Cabeça
Primeiramente é muito importante frisar que esse não é um ato do inconsciente coletivo
Vamos abordar aqui uma questão que muitas vezes é mal compreendida ou interpretada de forma diferente por pesquisadores, quanto ao ritual de bater cabeça dentro das religiões afro-brasileiras.
Dentro da história temos várias interpretações, e dentro dos conhecimentos das casas cada dirigente passa aos seus seguidores da forma a qual lhe foi ensinado, mas o ato de se bater cabeça é um fundamento importante dentro da religião.
Vejam que se fala muito sobre respeito, devoção, mas esquece-se que tudo está ligado não só à simbologia, mas ao ritual e a preparação para os trabalhos e para que possamos entrar em contato com todas as energias e com nosso orixá dentro daquele terreiro.
As formas de reverenciar os orixás são muitas, da mesma forma quando reconhecemos a autoridade de um dirigente, mas neste caso quando levamos nosso ori ao chão estamos reconhecendo quanto da importância dos orixás em nossas vidas, e no caso do dirigente o respeito e a consideração que o filho de santo demonstra àquele que está cuidando da sua formação espiritual. Sim amigos, para os que não perceberam ou não reconheceram ainda, o dirigente tem grande responsabilidade em nossa formação espiritual de seus filhos. Porém aos olhos de muitos isso hoje é visto como uma maneira arcaica de reverenciar alguém que se diz precisar de reverência ou até mesmo submissão dos seus liderados. Mas se buscarmos na história, claramente veremos que esse ato vem acompanhado de inúmeros fundamentos e sentidos, que podem ser aplicados nos dias de hoje da mesma maneira que foram criados nos primórdios da religião. O problema é que na atual sociedade consumista e muitas vezes descrente de qualquer religião onde a necessidade pelo dinheiro e de mostrar suas conquistas através dos seus bens, tornam as pessoas seres acima de qualquer coisa.
A humildade e a beleza deste ato, mostra o quanto podemos nos ligar com as energias fazendo a troca e a renovação para o caminhar do nosso dia a dia.
BATER CABEÇA- ritual que quer dizer cumprimentar respeitosamente e humildemente. Consiste em abaixar-se aos pés do congá (altar) ou uma Entidade Espiritual e tocar sua cabeça ao chão, aos seus pés. Representa respeito e humildade.
Quando batemos a cabeça no congá, estamos não só reconhecendo a força dos orixás em nossas vidas, mas estamos ali nos apresentando como instrumentos, um canal de comunicação e de trabalho dentro da religião e entregando nossas virtudes e fraquezas. Ao estar com seu ori no chão, é importante sempre pedir a renovação de suas forças e que possamos conduzir dentro e fora dos trabalhos a retidão dos nossos atos.
Muitos médiuns, principalmente os sensitivos, quando estão aos pés do congá, conseguem perceber uma energia corrente passando enquanto estão firmando seus pedidos. Muitos recebem mensagens dos orixás e entidades, a ligação se estreita de tal forma que é possível perceber as alterações do médium quando se levanta.
Quanto a bater cabeça para um pai ou mãe de santo, é o ponto mais polêmico sobre o assunto. Nos dias de hoje muitos dirigentes abriram mão dos seus filhos baterem cabeça aos seus pés, e trocaram por simples cumprimentos e pedidos de benção. O que não deixa de estar correto, porém há muito tempo víamos esse ato como somente simbólico, o que gerou esta mudança.
Mas converse com dirigentes antigos e vejam como eles tratam esse assunto. Especialmente quão horrorizados ficam ao se depararem com filhos de santo reverenciando pais de santo sem ao menos se ajoelhar para levar suas mãos ao ori no momento da benção.
Bater a cabeça a um pai ou mãe de santo, significa respeito ao orixá do dirigente. Permissão para que as entidades e os orixás daquele filho possam trabalhar naquela casa, reconhecimento do acumulo vivido na religião por aquele sacerdote, e por fim um pedido de benção, proteção e agradecimento por fazer parte daquela família a qual o pai ou mãe de santo zela.
Em outras épocas os filhos de santo deveriam abaixar suas cabeças quando o dirigente estivesse passando e nem olhar para ele, em forma de respeito (onde na verdade se traduzia em medo), mas esta radicalidade felizmente foi superada nos dias de hoje. Porem trouxe muita falta de respeito para com os dirigentes. Mas isso é tema para um outro assunto.
Basicamente, o ato de bater cabeça não deve ser visto como um ritual poético, maçante, ou simplesmente bonito. Ele significa FUNDAMENTO, PEDIDO DE LICENSA, TROCA DE ENERGIAS E FLUÍDOS ENTRE FILHO – ORIXÁ – PAI QUE SEM O QUAL O MESMO NÃO TERÁ FORÇAS PARA EVOLUIR NOS TRABALHOS QUE SERÃO FEITOS, RECONHECIMENTO À IMPORTÂNCIA DOS QUE ZELAM PELA NOSSA COROA.


 


Como bater cabeça:
Na Esteira – Faz o sinal da cruz ajoelhado em frente à esteira; engatinha com os pulsos para cima  e o corpo em bruços até o ponto que baterá a cabeça; encosta pelo menos 1 mão no ponto da casa que deve estar estendido na esteira; mantem as mãos abertas com as palmas para cima (muito importante para troca de fluídos com quem irá consagrar o ori); bate testa-cabeça virada para direita-testa-cabeça virada para esquerda- testa exatamente nessa ordem; mantem a testa por alguns segundos na esteira concentrando-se em pedir permissão e força aos guias chefes da casa para trabalhar; com as palmas ainda para cima, engatinha para fora da esteira e salda de joelhos Babás, Babalaôs, Pais e Mães pequenos, atabaque e esquerda.
No Altar – Molhar coroa nuca e pulsos com a água cruzada; com as mãos espalmadas para cima, no centro do altar, bater testa-cabeça virada para direita-testa-cabeça virada para esquerda- testa exatamente nessa ordem
Ordem de Médiuns a baterem cabeça:
1º - Pais Pequenos seguindo a ordem que foram coroados na casa
2º - Iawôs mulheres e Iabá seguindo a ordem que foram coroadas na casa
3º - Iawôs homens e Ogãns seguindo a ordem que foram coroados na casa
4º - Sambas mulheres
5º - Sambas Homens e Atabaquistas
6º - Pais e Mães Zeladores e visitantes
7º - Pai/ Mãe da Casa
Com quem bater cabeça:
Alguns terreiros, devido ao número de filhos na casa, fazem o ritual de bater cabeça com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Isso não é errado, contanto que algumas regras sejam seguidas. Especialmente respeitando-se o espaço da esteira e lembrando que pelo menos uma mão de cada médium deve estar encostando no ponto da casa gravado no pano da esteira enquanto batem cabeça.
Para bater cabeça juntas as pessoas precisam:
- Ser do mesmo sexo (no caso de mulheres, nunca misturar uma que já tenha menstruado com uma que ainda não tenha)
- Não estar grávida (nesse caso se bate sozinha)
- Ter o mesmo nível hierárquico na religião (independente de cargo)
- Não ter nenhum vínculo de sangue

- Não ter nem ter tido nenhum vínculo amoroso 

** Pedaços desse texto foram tirados de fontes diversas da Internet, visto que o conteúdo é completo. Caso seja o autor e queira que retiremos, favor entrar em contato
Axé para todos

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Iansã

A Orixá da bravura e coragem




Deusa linda e destemida
 Iansã tem em si a marca da coragem, a sensibilidade da mulher que não tem medo de lutar pelo que acredita. 
 Dona dos Raios, Chuvas e Tempestades e dos Ventos. Iansã expressa no bambuzal sua presença, de forma que o vento ao bater no bambu o faça dançar de forma bonita, soltar o seu som e se preciso avançar pra cima do inimigo que ameaça aquele que em seu reino pede abrigo.





Em sua lenda, Iansã foi sempre destemida e corajosa. Vivia desbravando os quatro cantos do mundo, geralmente em sua forma secundária. Iansã tinha a habilidade de se transformar em um búfalo quando se cobria na pele de um. 
Certo dia, Ogum se via com fome no meio da mata e avistou o búfalo andando em direção a um rio. Ao se preparar para atacar o animal, Ogum viu uma mulher linda saindo da pele deste e essa mulher começou a se banhar e matar a sede nesse rio. 
Ogum ficou ao mesmo tempo encantado e espantado com o que havia presenciado. Mas não pensou duas vezes quando o encanto falou mais alto, e tomou a roupa de búfalo para si enquanto a linda moça ainda tomava banho. 
Assim que terminou de se banhar, Iansã percebeu que sua roupa não estava onde havia deixado e começou a procurar. 
Ogum se aproximou e disse ter roubado a roupa para si. E que a condição pra que lhe entregasse, seria Iansã tornar-se sua esposa. 
Movida pela revolta por ter sido passada pra trás e a admiração pela ousadia do ato de amor de Ogum, Iansã aceitou a proposta. Mas como condição, ela impôs que ele nunca revelasse o segredo de que Iansã pode se transformar em búfalo na mata para ninguém.
Ogum nem pensou ao aceitar, e assim fez de Iansã sua quarta esposa. Quarta, porém favorita, uma vez que depois de ter se casado com Iansã, Ogum não deu mais atenção às suas 3 primeiras esposas. 
Teve com ela 9 filhos durante o casamento. 
Em momentos que Ogum partía para a guerra, seu irmão Xangô fazia visitas escondidas à Iansã e tentava seduzi-la devido a sua beleza e bravura. 
Um dia, ao voltar da guerra, Ogum chega em seu reino cansado e pergunta por Iansã, que para ele seria a única que o faria bem. Suas 3 primeiras esposas já revoltadas com o descaso do marido, decidem juntas arrancar a verdade de Ogum e descobrir qual o segredo que mantém Iansã como sua esposa, visto que ela nunca demonstrou sentir amor por ele. 
Abordaram Ogum e o embebedaram com um vinho que quando tomado, solta somente verdades da boca de quem o bebeu - o Vinho de Palma. 
Embreagado por esse vinho, Ogum revelou às suas esposas que o segredo de Iansã era se transformar em búfalo na mata. 
Sem pensar duas vezes as 3 foram caçoar de Iansã para provocar a deusa e fazer com que ela vá embora.
Enfurecida, Iansã se transformou em búfalo na frente das 3 esposas de Ogum e rasgou com chifradas violentas o corpo de uma a uma até a morte.
jogou seus nove filhos na garoupa e foi para o meio da mata. Ao voltar na forma humana, Iansã explicou aos seus filhos que teria que abandona-los com o pai, pois não teria como fugir da ira de Ogum arriscando a vida deles. Tirou da cabeça um dos chifres de búfalo, entregou ao filho mais velho e disse que sempre que precisassem da mãe, que usassem esse chifre como um berrante e ela viria com o vento para protege-los. 
Assim, Iansã foi ao encontro daquele que em segredo já amava, e a esperava para se tornar rainha do seu reino - Xangô
Com Xangô Iansã divide até hoje o poder do fogo e se mostra presente com seus raios e tempestades que vêm sempre acompanhados dos trovões de seu amado.



Os Filhos de Iansã são movidos pela paixão. Paixão violenta, pulsante e vibrante que corrói e cria o desejo de possuir. O temperamento do filho de Iansã se assemelha à tempestade, aquela que pode se prever quando virá, mas nunca o que ela causará por onde passar. Viver é uma grande aventura!
 São pessoas muito firmes e sabem o que querem, só têm certa dificuldade de saber como conseguir, visto que não têm paciência pra planejar e sim sair agindo pelos impulsos.
Os filhos de Iansã não costumam esconder seus sentimentos. São extremamente fiéis a pessoa que amam, porém só enquanto amam.
 É muito fácil os filhos de Iansã desenvolverem dons para ser músicos, por que com o vento Iansã guia os sons.
Ninguém derruba um filho de Iansã que tem fé, pois Iansã é o Vento e não há força nesse mundo que possa derrubar o vento!


Características dos filhos de Iansã:


  • Impulsivos
  • Extrovertidos
  • Aventureiros
  • Corajosos
  • Ciumentos
  • Transparentes
  • Orgulhosos
  • Bipolares
  • Leais
  • Independentes




Oferendas para Iansã:

  • Acaçá
  • Acarajé
  • Toalha ou pano amarelo
  • Velas amarelas
  • Champanhe Dourado (geralmente de pêssego)
  • Abacaxi em caldas
  • Arroz doce com bastante canela em pó por cima
* As oferendas para Iansã devem ser entregues em bambuzais, cachoeiras e jardins. Sempre enfeitar com rosas amarelas a oferenda que estiver sendo entregue. 




Iansã está presente nas maiores sensações do ser humano. A frase "Estou apaixonado" tem ligação direta à Iansã, pois a paixão é um furor que somente Iansã consegue trazer na terra. Diferente do amor que é brando. 
O Epa Hei que é sua saudação tem o Epa como sinal de susto ou surpresa e o Hei como um olá. O espanto vem devido à grandeza da força de Iansã. Portanto Epa Hei é um Olá com admiração .




Iansã carrega em sua mão um Iluquerê e uma daga em forma de raio para direcionar os ventos e rasgar todo o mal e dificuldade que esteja em seu caminho. Tomar um banho de chuva é deixar Iansã nos limpar e principalmente fortificar caso estejamos sentindo espiritualmente fracos. O banho de Iansã (chuva) é sem dúvida fundamental para todo médium de fé, no mínimo 4 vezes ao ano.
 É a deusa que comanda junto com Omulú os cemitérios e os Eguns também. 
 Iansã por ser movida pelo vento e pelo som, também comanda a firmeza da curimba dos terreiros, junto com Ogum. 






No sincretismo religioso, Iansã é Santa Barbara. Santa católica que teve em sua história uma prova de bravura por fé, escapando de uma prisão. Tornando assim o seu dia de celebração 4 de Dezembro.





  • As velas e guias de Iansã na Umbanda são amarelas, pela cor dos raios e choques elétricos 
  • A saudação a Iansã é Epa Hei Iansã na Umbanda e Epa Hey Oyá no candomblé
  • Seu dia na semana é Quarta- Feira
  • Seu elemento é a Chuva
  • Seu metal é o cobre
  • Suas flores são as Rosas amarelas, Margaridas e diversas flores amarelas
  • Seu mineral é a cornalina
  • Suas ervas são: Espada de Iansã, Para Raio, Cana do brejo, louro, Cantiga de Mulata, Açucena, Folha de Fogo, Cordão de Frade
  • Seu símbolo é o raio
  • Seus adornos são a Daga e o Iluquerê



Abaixo o vídeo da História de Iansã e uma oração retirada de um website cuja referência consta na imagem. 








Epa Hei Iansã! 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Festa de Ogum 2013

Realizada no dia 21/04


Agradecemos ao Pai Ogum por nos permitir realizar uma festa tão bonita!













Ogunhê Meu Pai!!!